CRIANÇAS

O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade. Karl Mannheim

domingo, 13 de junho de 2010

Alfabetização

:: ALFABETIZAÇÃO ::
" A compreensão do sistema de escrita é um processo de conhecimento; o sujeito deste processo tem uma estrutura lógica e ela constitui, ao mesmo tempo, o marco e o instrumento que definirão as características do processo. A lógica do sujeito não pode estar ausente de nenhuma aprendizagem, quando esta toma forma de uma apropriação de conhecimentos." (FERREIRO & TEBEROSKY,1986)
Este trecho retirado do livro Psicogênese da Língua Escrita mostra como pode ser diferente do tradicional o enfoque dado ao processo de alfabetização. Mostra que a alfabetização não é somente armazenamento de informação sobre o código para uma possível "decifração". O processo de aquisição da língua escrita é muito mais conceitual do que informativo. A criança constrói seu conhecimento internamente e não, como muitos creêm, que seu conhecimento é um processo de interiorização de informações externas.
Quando a criança chega na escola pela primeira vez, seja com dois anos de idade, ela já traz consigo conhecimentos próprios sobre várias coisas, entre elas a língua escrita. Ela NÃO está começando tudo do ZERO. Precisamos é observar o que ela está pensando e como o está fazendo, para a partir daí podermos auxiliá-la na sua jornada rumo ao "entendimento" do código.Os indivíduos quando chegam à escola trazem uma bagagem de conhecimentos bem vasta. Cada um traz uma bagagem de acordo com sua vivências, mas todos vêm munidos dela. As diferenças em relação ao momento conceitual no processo de alfabetização remetem as diferenças cognitivas, afetivas e sociais de cada um. O trabalho escolar é avaliar estas diferenças e trabalhar com elas de forma a que cada indivíduo possa caminhar evolutivamente no seu processo de alfabetização acrescentando novas experiências as anteriores.
A alfabetização tem seu peso na classe de alfabetização. No entanto, não se considera que a alfabetização comece e termine na classe de alfabetização. Esta é considerada um processo de aprendizagem onde ocorrem aquisições conceituais e de informações, que começam assim que a criança inicia sua interação com a língua escrita e não existe um marco (cronológico) definido para seu término. As atividades percepto-motoras não são consideradas pré-requisito para a alfabetização; são atividades paralelas à alfabetização sem uma relação de dependência entre ambas. Um trabalho de alfabetização baseado nos estudos de Ferreiro e Teberosky deve ter por objetivo principal oferecer à criança o maior número de vivências possíveis com a língua escrita para que ela possa ter um material de qualidade para atuar cognitivamente, construindo assim sua alfabetização.
Algumas dicas:
Oferecer bastante material escrito, trabalhando principalmente com os nomes
próprios das crianças para que evolua de uma hipótese conceitual a outra.
Informar a criança qual é a direção e o sentido da escrita, quais são as letras do
alfabeto, ensinar algumas regras ortográficas quando a criança perguntar, etc